Mais de 3.000 médicos passaram por transtornos mentais e vícios em drogas

Cerca de 3.099 médicos foram atendidos, nos últimos 14 anos, o Programa de Atenção Integral ao Médico Doente (PAIME) por transtornos mentais e dependência de drogas e álcool; 90 por cento, se recuperaram e conseguiram incorporar-se ao exercício da medicina

Responsáveis pela Organização Médica Colegial na apresentação do Programa/Foto: OMC

Estes são os dados deste programa, em quatorze anos que leva implantado na maioria dos colégios de médicos de Portugal para atender os profissionais com problemas psíquicos ou condutas aditivas, apresentados hoje, em conferência de imprensa.

Neste ato, o secretário-geral da OMC, Serafim Romero, explicou que nos últimos dois anos, verificaram que 59 doutores estavam em risco de má conduta e, por sua vez, 55 facultativos apresentavam conflitos “importantes” no seu ambiente de trabalho.

O estudo demonstrou que a maioria dos médicos são acessados de forma espontânea (77 %). Em 18% dos casos, voluntariamente, mas induzidos por outra pessoa; 4 % depois de uma comunicação confidencial e em 1 %, depois de uma denúncia formal.

Os maiores percentuais nos motivos de demanda são os transtornos mentais (67%). Seguem-se, o alcoolismo (16%), a patologia dual-um vício e um transtorno mental- (10%) e as drogas (7%).

Em relação a quem os deriva, em 23% das ocasiões deu o aviso de um colega, 18% de um familiar, 7% superior a 6%, o departamento de riscos laborais.

  • A especialidade de medicina de família e comunidade é a que mais profissionais tem afectados (40 %), à frente das de cirurgia geral, medicina interna, pediatria, psiquiatria e anestesiologia (5% em cada uma delas), pediatria (3 %) e ginecologia (2 %).
  • Quanto à idade, os maiores percentuais (38 %) são dadas aos profissionais de 51 a 60 anos, seguidos pelos que têm de 41 a 50 (26 %), 31 a 40 (19 %) e mais de 61 anos (8 %).
  • Os médicos em formação (MIR) começam a ser um número importante no programa PAIME (9 %).
  • Em relação ao lugar em que exercem, a maioria provenientes do âmbito urbano (78 %) e 22 % restantes zonas rurais.
  • Um 61 % dos atendidos estão no activo e a maior percentagem são médicos que estão trabalhando com contrato fixo.
  • 24 % tem contrato temporário e 8 % são de livre exercício.
  • A maioria são médicos casados (45 %), seguidos dos solteiros (27 %), divorciados (13 %), separados (7 %), em união de facto (6 %) e viúvos (2 %).
  • Por comunidades autónomas, as que registram maior número de médicos atendidos são Catalunha (1.612), Andaluzia (531), Madrid (405), País Basco (149), comunidade autónoma de Castela e Leão (85) e Castilla La Mancha (73).

Nos últimos dois anos, o custo do PAIME ascendeu a 1.877.860 euros. Atenderam 649 primeiras visitas e 7.622 visitas sucessivas e contabilizou 260 receitas hospitalares, com uma média de ingresso nas unidades de internamento de 32 dias.

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