Mais de 35.000 mortos por ano em Portugal

Mais de 35.000 pessoas morrem a cada ano em Portugal, como consequência das bactérias multirresistentes -que não respondem aos antibióticos – uma ameaça para a saúde pública e que em Portugal é um problema de grande magnitude, já que é o primeiro país do mundo em consumo de antibióticos.

Cultivo de bactérias. Marius Becker/ EFE

Assim o alertaram os autores do Registro hospitalar de pacientes afetados pela resistência bacteriana impulsionado pela Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC), que analisou a mortalidade por estas bactérias em 82 hospitais de 15 Comunidades Autónomas, durante uma semana, em que se registraram 903 pacientes com infecção por bactérias multirresistentes, de que quase 20 % (177) morreram.

Extrapolando estes dados, conforme explicou, em conferência de imprensa o presidente da SEIMC, José Miguel Cisneros, ao longo deste 2018 estima-se que serão desenvolvidos em Portugal 180.600 infecções por este tipo de bactérias, que causam 35.400 mortes.

Estes números superam os mortos por acidentes de trânsito em nosso país e, a continuar assim, estima-se que em 2050 o número de mortes por esta causa, ultrapassará os que provoca o câncer e se tornará a primeira causa de morte por doença.

Cisneros recordou que Portugal ocupa o primeiro lugar do mundo no consumo de antibióticos e é um dos primeiros países da Europa em resistências bacterianas, apesar de que, os orçamentos gerais do Estado (PGE) não prevêem nenhuma partida para lutar contra esta “grave problema”.

“Desde a SEIMC exigimos às autoridades sanitárias os recursos técnicos e humanos para fazer face a esta problemática e que o financiamento do Plano Nacional de Resistências aos Antibióticos se inclua no âmbito dos Orçamentos, sempre se queixando de Cisneros, o que exigiu também que exista uma especialidade em doenças infecciosas, como já acontece em outros países europeus.

O presidente da Sociedade Espanhola de Farmácia Hospitalar (SEFH), Miguel Ângelo Fernando, por sua vez, foi avisado do uso abusivo de antibióticos em Portugal e foi alertado de que 40% dos pacientes internados em hospitais são tratados com antibióticos, enquanto que 6 de cada 10 recebem pelo menos uma dose destes fármacos durante a sua renda.

Tudo isso abunda na proliferação de bactérias multirresistentes.

Os dados do registro resulta, igualmente, que as infecções mais freqüentes foram as produzidas por escherichia coli (233 pacientes), pseudomonas aeruginosa multirresistente (103), klebsiella pneumoniae (85) e a K. pneumoniae (36) e as infecções mais comuns foram as do trato urinário, intra-abdominal e pneumonia.

Estas infecções, no entanto, não se limitam a um único perfil de pacientes. “Nenhuma pessoa está livre de ser infectado”, garantiu Cineros, que afirma que qualquer um pode adquirir uma bactéria multirresistente sem a necessidade de ser internado no hospital.

Neste sentido, explicou que mesmo quando uma pessoa toma antibiótico e gera multirresistencias em sua flora intestinal, pode transmitir a bactéria multirresistente às pessoas com as quais convive.

Asensio sublinhou que, neste sentido, a importância de uma correcta higiene e a importância de lavar as mãos, também os médicos nos hospitais, onde apenas 40% dos médicos é limpa as mãos com álcool depois de tratar um paciente.

Por sua parte, o vice-presidente do Fórum Português de Pacientes, José Luis Baquero, foi alertado do problema que representam as explorações pecuárias em que são administrados antibióticos como medida profilática ou para potenciar o crescimento dos animais, cuja carne é posteriormente consumida por humanos.

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