Mais mortos por câncer no Brasil em meio à escassez de medicamentos ~ EfeSalud

As mortes por câncer aumentaram 15% no ano passado na Venezuela, de acordo com um relatório apresentado pela ONG Sociedade Anticancerígena (SAV), no quadro da grave crise econômica que sofre o país e que resulta em escassez de alimentos básicos e medicamentos

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Ao menos 26.510 pessoas perderam a vida em 2017, por causa de vários tipos de câncer, de acordo com o terceiro estudo de incidências e mortalidade da SAV, embora o valor corresponde a um “prognóstico”, por não existir no país dados oficiais confiáveis.
A figura causou alarme no seio da SAV, se se entende que representa 73 mortes por dia, ou 3 por hora.
O mesmo documento refere que a incidência da doença diminuiu “ligeiramente” em 2017, apesar do aumento da mortalidade.
“Particularmente acho que esta diminuição dos novos casos se deve à base de dados, o registro que eu tenho, que não é tão seguro como o de mortalidade”, disse Desirée Villalta, uma das autoras do estudo.
O diretor da Coalizão para a Defesa do Direito à Saúde e à Vida das Pessoas na Venezuela (Codevida), Francisco Valência, disse à Efe que o aumento da mortalidade deve-se a “ausência prolongada” de tratamentos oncológicos, que em alguns casos supera os 9 meses.
A escassez de medicamentos especializados, conforme registra Codevida, atinge 90%.
“Ser diagnosticado com câncer hoje em dia é uma sentença de morte”, acrescentou.
Venezuela, o país com as maiores reservas provadas de petróleo no planeta, atravessa uma crise econômica em que está caindo quase tudo, inclusive os medicamentos para tratar o cancro.
A oposição e ONGS, como Codevida, insistem na abertura de um canal humanitário para a entrada de medicamentos e equipamento médico, e, há duas semanas, celebraram-se que a Venezuela acudiera a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) para aquisição de medicamentos.
Mas Valencia disse à Efe que o Governo venezuelano ainda não foi fechado um acordo com a OPAS para a aquisição de medicamentos, apesar de a visita ao país da diretora desta Organização, Bessie F. Etienne.
Diante disso, a SAV aponta que uma das armas para combater o aumento da incidência e mortalidade do câncer é a prevenção, e esta mesma jornada de trabalho, instou as autoridades a iniciar um plano de imunização contra o vírus do papiloma humano (VHP), relacionado com o câncer de colo de útero.
“Se conseguirmos colocar a vacina do HPV vamos reverter a segunda causa de morte por câncer na mulher”, disse o Gerente Geral da SAV, João Saavedra.
O relatório da SAV precisa que a incidência e a mortalidade por câncer de mama, no caso das mulheres, e da próstata, nos homens, registrou um aumento durante 2017, sendo estas as “posições” que precisam de maior prevenção.
Todos estes dados tornam o câncer, a segunda causa de morte no Brasil, e colocam em risco a meta que estabeleceu a União Internacional Contra o Câncer, que integra a SAV, de ver reduzidas as mortes em 2020 a nível mundial.
Terça-feira, a Assembleia Nacional da Venezuela (AN, Parlamento), controlada pela oposição, aprovou um relatório que responsabiliza o Governo de Maduro pela emergência de saúde que, segundo os deputados, custou a vida de mais de 2.000 pessoas com câncer que não receberam tratamento oportuno nos últimos anos.
Protestos de pacientes por falta de medicamentos, se manifestaram de forma frequente nos últimos meses na Venezuela perante o colapso dos sistemas de saúde do país.
Em uma dessas manifestações, a paciente Elizabeth Salazar colocou face ao sofrimento dos doentes de câncer, ao mostrar seu seio esquerdo, visivelmente comprometido por um “câncer ductal tipo III B”.
Mas os protestos também ocorrem do lado dos médicos, que reclamam dotação hospitalar e melhorias salariais.
Mesmo os médicos e pessoal de “Barrio Adentro”, um programa governamental de atenção primária, protestaram hoje contra o Ministério da Saúde e asseguraram que não se sentem respeitados, por seus baixos salários. Redação EFE: rgc/ba/plv

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