Médico na Bulgária, profissão de risco

Um salário de 350 euros por mês, jornadas de 12 horas e o risco de uma surra: com essas condições trabalham os médicos de urgência na Bulgária, até o ponto de que o Parlamento europeu acaba de aprovar uma mudança legal que lhes confere a mesma proteção que a polícia, juízes e procuradores

Um helicóptero medicalizado voa nas proximidades da Catedral de Alexander Nevski em Sofia (Bulgária). EPA/Vassil Donev

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Embora a legislação, que entrará em vigor no final do mês, ampara a todos os facultativos, o seu tratamento vem por causa das frequentes agressões que sofrem os equipamentos de emergência.

De acordo com a alteração do Código Penal aprovada, as agressões contra os médicos serão sancionadas com entre 1 e 3 anos de prisão, no caso de que causem ferimentos leves, e até 15 anos se a vítima sofre ferimentos de gravidade.

A rapidez com que foi tratada a reforma, apesar de interrupção da atividade parlamentar nas eleições do mês passado, deveu-se à ameaça de protestos por parte da União Búlgara de Médicos.

A partir desta organização foi aplaudido da reforma, mas se é consciente de que não será suficiente para resolver o problema.

“Mas sim que é um gesto de solidariedade por parte dos políticos com a responsabilidade e a dificuldade de nosso trabalho”, declarou Julian Yordanov, vice-presidente desse coletivo.

“Além disso, os cidadãos entenderam que a agredir um médico não resolverá seus problemas, mas que lhes criará mais”, disse, em declarações à Efe, em Sófia.

Agressividade na vida cotidiana

De acordo com Desislava Katelieva, presidente da Associação nacional de funcionários de Urgência, seus colegas se sentem “ofendidos e humilhados” por abusos e falta de respeito para com aqueles que vêm a prestar socorro.

Embora alguns meios de comunicação se referem a atrasos e insuficiências do serviço como a causa das agressões, os profissionais do setor rejeitam esses argumentos.

“Existe muita agressividade na vida cotidiana, marcada pela pobreza e o mal-estar social, e os assaltos contra médicos é a sua quintessência, atacar a pessoa que tenta ajudá-lo e salvar sua vida”, comentou Yordanov.

Uma análise partilhada por Krasimir Yordanov, o médico que foi vítima do último caso de agressão, e que nega que nessa ocasião a ambulância chegasse tarde.

De acordo com a União Búlgara de Médicos, esta reflexão não é única. A Cada ano, deixando o país cerca de 500 professores, cansados de más condições de trabalho.

A situação do pessoal de urgência búlgaro foi retratado no documentário “A Última Ambulância de Sófia”, protagonizado pelo próprio Yordanov e que foi premiado em vários festivais internacionais.

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