Médicos à espera de vaga em propriedade na saúde pública

O 46,7 por cento dos médicos que trabalham no Sistema Nacional de Saúde não tem uma praça na propriedade e, destes, 26% há mais de dez anos nesta situação e o 6,27 por cento a mais de vinte anos, “renovando contratos” por guardas, por horas ou por baixas

EFE/Pedro Ponte Buracos

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Esta é uma das principais conclusões de um inquérito realizado a mais de 10.000 médicos de 49 províncias, promovida pelas Vocalías Nacionais de Médicos em Emprego Precário e de Formação e/ou pós-graduação de Organização Médica Colegial (OMC), apresentado hoje em conferência de imprensa.

O estudo revela que, do total de médicos que não têm praça na propriedade, um 41,3 % trabalham com um contrato de duração inferior a seis meses. A média de contratos assinados no último ano por estes profissionais é de 3,78, uma cifra que sobe para 5,3 no caso daqueles que se encontra em situação de desemprego atualmente.

No mesmo sentido, o presidente da OMC, Juan José Rodríguez Sendín, colocou o acento em “os altos níveis de exploração do trabalho” que estão sofrendo os médicos, bem como do aumento do ‘mobbing’, e foi avisado de que o sistema de saúde pode estar em perigo”.

“Um profissional médico não podemos meter em uma despensa e recuperá-lo, em cinco anos, para trabalhar”, disse Sendín, que foi alertado de que “dentro de muito pouco tempo não vamos ter médicos de família para repor as baixas que vão surgindo e vamos ter que tirá-los de outras partes do mundo”.

O presidente da OMC sempre insistiu em que a precariedade e a instabilidade de trabalho têm impacto na qualidade assistencial e no aumento das listas de espera, embora as autoridades sanitárias estão tentando disimularlas “ao preço que seja”.

“Se os médicos estão dançando de um site para outro, não tem estabilidade e não conhecem os pacientes não podem exercer com a mesma qualidade”, sublinhou.

No entanto, disse não dispor de dados concretos sobre o agravamento da qualidade além da percepção do setor. “Se os tivermos, iremos aos tribunais”.

Paro submerso

A pesquisa revela também, conforme foi detalhado o doutor Oscar Gorría, coordenador do estudo, que existe “um grande desemprego submerso” não refletido nos dados oficiais, já que um 22.4% dos médicos desempregados que não estão inscritos no escritório do Inem.

Na opinião do doutor Sendín, “você está abusando, com absoluta clareza” e “está a tentar aumentar a produtividade a qualquer preço”.

O doutor Rivas tem incidido em que as administrações estão aproveitando a crise para “de uma maneira disfarçada para empurrar os médicos” para a saúde privada ou para o estrangeiro.

A este respeito, Sendín considerou que existe “uma espécie de conluio: abrir um caminho para que possa ir para fora”.

Entre os profissionais está se sentindo “um desmantelamento do sistema de trabalho que tivemos no Sistema Nacional de Saúde”, diz o doutor Rivas, que foi justificado no fato de que não se convoque concursos de praças enquanto aumentam os contratos eventuais.

“Estamos certificando-se uma falta de aposta na consolidação do sistema de saúde quanto a recursos refere-se”, salientou o médico.

O presidente dos médicos foi gravada também em que a diminuição da qualidade assistencial e o aumento das listas de espera estão propiciando que os cidadãos com recursos próximos à saúde privada.

E isso faz com que “temos duas medicinas, uma para ricos e outra para pobres”. “É lamentável”, disse Sendín.

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