Médicos de família detectam mais jovens com depressão em consulta

ambelinchon | S. Sebastião/Madrid/EFE/B. Escudeiro/Redação SaludMartes 23.05.2017

EFE/Manuel Bruque

Pelo menos 15% dos pacientes com transtorno depressivo maior termina em suicídio.

A depressão está cada vez mais presente nas consultas de Atenção Primária, onde os transtornos mentais mais comuns geram mais de 40% das consultas.

Os doutores Fernando Gonçalves e Antonio Torres, do Grupo de Trabalho de Saúde Mental da Sociedade Espanhola de Medicina Geral e familiar (Semg), que na semana passada realizou em San Sebastián, o seu XXIV Congresso Nacional, colocaram o acento nos motivos do aumento do número de jovens e adolescentes com depressão.

Educação em valores, disciplina pendente

Há vários fatores sociais, e o primeiro deles, segundo os médicos, é que “não estamos educando em valores”.

A educação que prima, de acordo com os médicos clínicos gerais, é a de “a riqueza, o capricho e o imediato, e isso faz com que a juventude tenha uma tolerância mínima ao sofrimento e à frustração”.

“Onde passam os fins-de-semana, os nossos filhos? Em um centro comercial. Quais são as suas principais aspirações? Não é que lhes estiver ao futebol ou que venham a fazer montanha. Querem o último modelo de jogo, a última play. Quando você gasta mais de 300 euros na wii agora querem play, que são outros tantos, e, além disso, com condições de imediatismo”, argumenta Torres.

Criamos, segundo Gonçalvez, jovens “excessivamente vulneráveis a que todo o mundo pode prejudicá-los e não deveria ser assim.”

Mas, além disso, os jovens querem que as soluções sejam imediatas e os tratamentos mentais -advertem os médicos não têm efeitos imediatos. “São sempre longos e têm um período de cadência, onde o tratamento não é suficiente, e nessa fase, há que estar muito atentos”, diz Torres.

Indícios de depressão em jovens

“Notas de uma mudança nos hábitos, no penteado, na maneira de se vestir ou como entram na consulta, com a cara mais alta ou a mais baixa, olhando para um lado, arranjada ou sem corrigir; qualquer mudança pode nos induzir a pensar que está acontecendo algo”, aponta o médico.

Outros indícios: o normal é que essas pessoas tenham ido no mês anterior para os serviços de saúde e até mesmo ao seu médico de cabeceira “as idéias que lhe torturam a cabeça”, daí a importância de que os médicos do ensino Fundamental tenham tempo para detectar essas situações.

Cada dia em Portugal suicidaram-se dez pessoas, com o que com o que vai de maio, já o fizeram 190 e no que vai de ano 1.390, umas figuras dramáticas, mas, apesar delas, há que notar que em países como a Dinamarca suicídio cinco vezes mais.

Pelo contrário, em Espanha, o consumo de psicofármacos, segundo Gonçalvez é “bestial”. Consumimos três vezes mais ansiolíticos e antidepressivos, por exemplo, que a França.

Menos de 10 minutos de média por paciente

Os médicos de família dizem estar preparados para detectar esses casos, não interpretar, mas advertem que não lhes permitem fazer este trabalho com eficácia com a média de cinco minutos que têm por consulta.

Estes especialistas têm afirmado que não se cumpre “em lugar nenhum” padrão de tempo que reivindicaram as diferentes administrações de dez minutos em média por consulta, ou seja, que atendam a um máximo de seis pacientes a cada hora.

E isso se deve em boa medida ao grande número de profissionais que saíram durante a crise: 15.700.

Quando começou a crise, e mesmo antes, de acordo com o presidente da Semg, Antonio Fernández-Pro Ledesma, nas agendas dos médicos de família desde um tempo de três ou quatro minutos para cada paciente.

“Havia um jogo de números endiablado, e a isso também se somavam as urgências, com o que, no final do dia, os médicos tinham uma lista de cerca de cem pacientes”, afirmou durante o Congresso.

Isso, em sua opinião, “é absolutamente inasumible”, embora se fez em seu momento. Já passado, os médicos insistem em dizer que o tempo que deve se dedicar a cada paciente “é o que precisar”, embora de maneira formal, pediram às autoridades que não se cite a mais de seis pacientes em uma hora.

Mas, “em nenhum lugar se cumpre”, sublinhou o presidente da Semg, e o problema é, em sua opinião, “a diáspora, que estamos sofrendo de médicos”: quase 16.000 se foram durante a crise, e, especificamente, no País Basco, 478.

Os médicos de família pedem mais eficazes para se aproximar da UE

No âmbito do Dia da Medicina de Família, da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunidade (Semfyc) ter reclamado aumentar em cerca de 4500 facultativos o corpo de médicos de atenção primária para alcançar a cota de 8,6 profissionais por cada 10.000 habitantes e assim assemelhar-se aos dados padrões europeus.

Atualmente, a média nacional de médicos de família situa-se em 7,6 por cada 10.000 habitantes, um número que consideraram baixa em comparação com os 9,6 doutores que tem em média o conjunto da Europa para este número de cidadãos.

A Semfyc lançou a campanha 1MF+, que reivindica a incorporação de 4.500 efetivos ao total de 34.900 médicos de família que operam no país, o que corresponderia a um profissional mais na média atual.

O presidente da Semfyc, Salvador Tranche, entende que o aumento deve ocorrer de forma gradual, mas reconhece que “somar um médico de família a mais por cada 10.000 habitantes permitiria melhorar a qualidade de cuidados que recebem os cidadãos”.

Castela e Leão é a única comunidade autónoma que supera os padrões nacionais e europeus com 2.630 profissionais operando em assistência primária, o que implica dispor de 11 médicos por cada 10.000 habitantes.

Superam a média nacional Aragão e Extremadura (ambas com 8,8), La Rioja (8,3), Galiza e Castela-La Mancha (8,2 cada uma), Navarra (8), Espanha (7,8) e o País Basco (7,8), enquanto que o resto das comunidades fica abaixo dos 7,6 profissionais.

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