Médicos percebem “medicina machista” em um debate Dia da Mulher.

Especialistas em endocrinologia e cardiologia, em um debate no âmbito do Dia Internacional da Mulher, expressam sua percepção de que existe uma “medicina machista” que provoca “uma variabilidade assistencial” entre homens e mulheres, que são achacado a causas culturais, sociais e educacionais

EFE/Antonio Lacerda

Quarta-feira 07.03.2018

Quarta-feira 07.03.2018

Quinta-feira 01.03.2018

“O Tratamos pior para as mulheres?”, perguntou o professor Esteban Jodar, chefe do departamento de endocrinologia e nutrição dos hospitais Quíron Saúde São paulo, Ruber Juan Bravo e San José, ontem, em um comunicado de imprensa em que afirmou que ainda não tem a sensação de fazer uma medicina machista, “quando você vê os dados, algo de que existem”.

E é que, embora as características das doenças cardiovasculares são diferentes entre homens e mulheres e, no caso da diabetes, também há conotações culturais e sociais muito difíceis de mudar”, sublinhou Rui Castro, chefe da unidade de reabilitação cardíaca do Hospital de La Paz.

Além dos fatores de risco clássicos, em que a mulher se acumulam outros que multiplicam suas chances de sofrer uma doença cardiovascular, como a menopausa, devido à redução de estrogênio que atuam de proteção; e gravidez, que causa diabetes gestacional, que, em 50% dos casos termina em diabetes tipo 2 após o parto.

Mulheres com esta doença tem até dez vezes mais probabilidade de contrair uma doença cadiovascular (infarto ou avc).

Além destes números, “o mais importante”, segundo o médico Jodar, é que “as mulheres consultam e se lhes atende mais tarde e há dados objetivos de que as tratamos pior do que a dos homens nas consultas e, além disso, têm pior prognóstico”.

Isso, a seu julgamento, deve levar os clínicos a “mudar a nossa aproximação, porque é evidente que não estamos fazendo como deveríamos”.

A doutora Castro, responsável do grupo de diabetes da Sociedade brasileira de Cardiologia (SEC), colocou o acento em que a mulher é a cuidadora, o que leva, por exemplo, a colocar dificuldades para realizar reabilitação cardíaca após um infarto ou que entre 20 e 30 % a abandonem, contra os homens que, em sua grande maioria, terminam todas as sessões.

Além disso, por exemplo, frente a uma dor de peito, “se faz mais necessário, ao homem que à mulher” diante da suspeita de que seja um infarto, no primeiro caso, e um ataque de ansiedade no segundo, o que atrasa a chegada delas aos serviços de emergência.

A isso há que acrescentar que o fato de que as mulheres abandonam em maior medida do que os homens o tratamento, além do sedentarismo, em ocasiões propiciado pela dificuldade de dispor de tempo livre para fazer exercício quando têm que conciliar a vida familiar e laboral, disse a cardióloga.

Castro salientou que há estudos internacionais que mostram que “demora mais para atender a uma mulher que um homem, e que lhes dão tratamentos diferentes”, mas afirma que não se referem a Portugal.

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