México permite o uso da cannabis para uma criança epiléptica

Grace é uma menina de 8 anos que não pode cuidar de si mesma, devido a uma doença rara que pode lhe fazer sofrer em torno de 400 convulsões epiléticas ao dia. O caso fez história no México porque um juiz permitirá a importação de um derivado da cannabis para tratá-la.

Canabinóides. EFE/LUIS EDUARDO NORIEGA

Artigos relacionados

Quinta-feira 23.07.2015

Quinta-feira 02.07.2015

Terça-feira 02.06.2015

Graciela sofre de síndrome Lennox-Gastaut, com fortes episódios epilépticos , mesmo quando dorme.

O pai da pequena, Raul Esteves, explicou à Efe que “Grace é uma menina de seis meses, mas no corpo de uma menina de oito anos. Depende tudo de nós”.

No dia 17 de agosto, o juiz, terceiro Distrito em Matéria Administrativa, Martinho Santos, concedeu uma liminar para que as autoridades permitam aos pais de Ailton Esteves importar um medicamento com cannabis indica, uma substância proibida pela Lei Geral de Saúde do México.

No julgamento, os advogados apelaram que há artigos nesta lei inconstitucionais por violarem os direitos humanos”, como o direito a decidir ou a viver sem dor, segundo indicou à Efe o advogado da família, Fabián Aguinaco.

O pai da menina, qualificou a decisão deste juiz como “muito corajoso”.

O dia-a-dia com Grace

Conforme foi relatado, a mãe de Grace, Mayela Benavides -que deixou o trabalho para se dedicar ao cuidado de sua filha – este é um dia-a-dia com a criança: “Grace acorda, toma seus remédios, damos de pequeno-almoço, banho e levou-a para terapia. A sua doença impede-o de fazer uma vida normal, porque a atividade elétrica está sempre presente em seu cérebro. É um desgaste físico enorme”.

Tanto Mayela Benavides como Raúl Esteves, os pais da pequena, residentes em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, têm tentado tudo”, desde medicamentos anticonvulsivos legais no México até uma callosotomía em 2013, um corte na banda de fibras que liga os dois hemisférios cerebrais”.

Cannabis indica como tratamento

No entanto, segundo relatou o advogado, as medidas foram “inúteis” para Graciela, e, por isso, seus pais decidiram vir para o cannabis indica, uma substância que relaxa os músculos do corpo.

“Nos dá uma esperança de poder ter este medicamento para que Grace possa seguir em frente”, disse o pai, que sempre complexo, além disso, que a substância foi bem sucedida em vários casos ao redor do mundo.

Para conseguir trazer a substância, os pais viajam no final do mês para os Estados Unidos para que especialistas receten a Grace o tratamento exato, a condição imposta pelo juiz para que entre o cannabis indica, no México.

Apesar de que a autoridade foi objeto de recurso, esta semana, a suspensão do julgamento ainda contam com vários meses de margem para iniciar o processo, uma oportunidade que não pensam em desistir, salientou Raul Esteves.

Raúl e Mayela são um exemplo de dedicação e amor. Sentimentos que libertam em toda a entrevista, e, segundo explicou, contagiaron a Valentina, a irmã mais nova de Grace de 2 anos e meio.

“Quer e cuida muito, a procura também. Ele limpa as babitas com um guardanapo, dá-lhe de comer… sempre está pendente. Não lhe podia tocar melhor irmã”, descreveu Mayela, afirmando que a mais pequena da família não sofre desta doença.

A síndrome de Lennox-Gastaut

A síndrome de Lennox-Gastaut pertence ao grupo de encefalopatias apreensões graves da infância e conta com uma incidência de um para cada milhão de pessoas.

A história de Grace tem levantado muitas vozes entre a cidadania, a maioria a favor de que a menina possa receber este derivado da maconha que pode mudar a sua vida por completo.

“O caso de Grace prova os benefícios da planta. Não é inócua, mas tem benefícios medicinais, proibi-lo) é obscurantismo”, argumenta a EFE o candidato à presidência do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD) Fernando Belaunzarán.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply