Não infravalores dor nas costas e trate-o a tempo

Esculturas humanas fora do centro no qual se exibe a exposição “a Festa do Corpo”/REUTERS/Ivan Alvarado

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As doenças reumáticas não são doenças menores. E a dor nas costas lombar é a cabeça dos problemas de saúde crônicos. A doutora Montserrat Romera, porta-voz da Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER), especialista do Serviço de Reumatologia do hospital universitário de Bellvitge (Barcelona), divulgadora, blogueira, membro de diversas associações nacionais e internacionais, e a professora analisa esta patologia no seguinte análise para EFEsalud.

Não está nada mal começar o ano com boa informação sobre esta doença a partir dos conhecimentos de um especialista.

Por Montserrat Romera

A dor nas costas lombar encabeça a lista de problemas de saúde crônicos mais frequentes em Portugal, afectando 18,6% da população; seguido da hipertensão arterial, e da artrose, artrite ou reumatismo, afecções reumáticas, que ocupam o terceiro lugar, segundo recolhe o último relatório anual do Sistema Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade.

Em um estudo epidemiológico realizado pela Sociedade Espanhola de Reumatologia (EPISER), aproximadamente, 80% da população vai sofrer este tipo de dor em algum momento de sua vida, sendo na maioria das vezes de causa benigna.

No entanto, se esta doença não for tratada a tempo, ou de forma correta, essa dor pontual pode chegar a ser crônico. As más posturas, tanto no trabalho como na vida diária, o sedentarismo, a obesidade e algumas atividades, especialmente no local de trabalho – em que é necessário um grande esforço físico, costumam ser os desencadeadores deste tipo de doença.

Em pessoas de idade avançada, a dor lombar mais frequente é por causa da artrose, tanto a que afeta os discos vertebrais como as articulações da parte de trás das costas, mas também podem causar dor de uma hérnia de disco -com uma prevalência de 5% a 10% -, uma estenose ou estreitamento do canal vertebral ou uma queda ou esmagamento vertebral.

Existem uma série de sinais de alarme que fazem suspeitar que o médico que podemos encontrar-nos perante um processo grave, como tumores, infecções ou fraturas.

Fraturas da coluna e osteoporose

Quando não ocorreu um trauma prévio, os esmagamento da coluna costumam ser a manifestação clínica da osteoporose. Cerca de 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens acima de 50 anos pode sofrer uma fratura osteopórotica ao longo de sua vida.

Essas fraturas costumam ser causa de dor, mas também podem predispor a que se apresentem mais fraturas vertebrais ou até mesmo fraturas de quadril. Existem vários fatores relacionados com a osteoporose e é importante detectar todos estes factores para poder diagnosticarla e tratá-las antes que ocorram complicações.

Diante de uma dor lombar, que não melhora com o tratamento habitual, há que realizar um interrogatório dirigido, uma exploração adequada e os estudos necessários para descartar ou confirmar qualquer doença reumática crônica que sem um diagnóstico precoce pode causar danos irreversíveis.

A obesidade e o tabagismo: fatores de risco

O hábito de fumar é um fator predisponente para sofrer de dor nas costas, mas também aumenta o risco de desenvolver outro tipo de doença reumática que afetam o sistema imunológico, como a artrite reumatóide e o lúpus, e é um fator de risco de osteoporose.

Por outro lado, verificou-se que a obesidade é um fator de risco de artrose. Os mecanismos são tanto mecânicos e biológicos. Por um lado, aumenta a tensão mecânica sobre as articulações e, por outro lado, são substâncias secretadas pelo tecido adiposo –adipocinas – que exercem um efeito incompatíveis com os tecidos articulares.

A obesidade (através das adipocinas) também tem o seu impacto em doenças inflamatórias como a artrite reumatóide, espondilite anquilosante e artrite psoriática, incidindo a sua actividade e, às vezes, reduzindo a resposta a alguns tratamentos.

Nesta mesma linha, cabe destacar que a gota (outra das doenças reumáticas) também é mais freqüente em obesos.

Para prevenir a dor nas costas lombar é importante evitar carregar peso, fazer exercício para desenvolver a musculatura das costas e manter um estilo de vida saudável.

As doenças reumáticas: mesmo em crianças

Por outro lado, é importante desmistificar a crença de que as doenças reumáticas são apresentadas apenas as pessoas mais velhas, já que determinadas patologias que afetam as costas costumam iniciar-se na juventude ou mesmo apresentar-se na infância.

Além disso, este tipo de doenças podem envolver outros órgãos, como os olhos, os tendões, pele, osso e outras articulações do corpo. O diagnóstico precoce nestes casos, é de vital importância para evitar danos estruturais irreversíveis.

Os reumatologista dispomos atualmente de novos tratamentos, aplicados a tempo, melhoram as dores nas costas, evitam a destruição das articulações e controlam o acometimento de outros órgãos. Daí decorre a necessidade de dar a importância que merece a esta doença, para que as recomendações do especialista não cheguem tarde e o problema não se agrave.

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