Não me contagies um beijo

Beijar é uma delícia, mas às vezes pode ser muito amargo. Os beijos são uma demonstração de afeto, carinho e amor, mas através da saliva pode transmitir doenças infecciosas, como a mononucleose, conhecida como “doença do beijo”

EFE/ Frank Rumperhorst

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Com um beijo, um príncipe consegue despertar a branca de Neve de um sonho venenoso, certamente este é o primeiro beijo romântico que mais nos impactou na tela.

Todos nós nos beijamos constantemente: o saludarnos, ao despedir -, como expressão de felicidade ou de agradecimento. É como se tivéssemos a necessidade imperiosa de se beijar, e se não podemos, pedimos aos gritos.

Na Véspera do ano novo, é, provavelmente, a noite em que beijamos mais do que nunca: o noivo, a noiva, os pais, os amigos e até mesmo desconhecidos que estão ao nosso lado quando soam os sinos do novo ano.

Mas nem todos o fazemos da mesma forma, os espanhóis somos muito besucones, os russos usam como saudação, o beijo entre os homens, os franceses costumam dar três beijos na bochecha e em países como o México ou Dubai, beijar-se em público pode ser penalizado.

Desde pequenos mesmo jogamos a inovar:o beijo de borboleta com os olhos, o esquimó com o nariz ou o de vaca…um lametazo no moflete, algo que resulta algo mais escrupuloso.

A doença do beijo

“Os amantes”, de René Magritte, é um quadro que representa dois apaixonados se beijando. Uma pintura que deu a volta ao mundo…por um beijo, um beijo escondido após dois véus úmidos, que impedem o contato, mas a paixão não se rende perante o medo.

Uma proteção… o contra quê? Mesmo assim a tela, utilizamos esta metáfora e o beijo como um fio condutor, para dizer que se beijar na boca nem sempre é bom para Quem não tem ouvido falar sobre a doença do beijo?

É a mononucleose infecciosa, uma doença causada pelo vírus de Epstein-Barr, um tipo de herpes que foi exposta grande parte da população mundial.

Até 95% da população adulta está infectada por este vírus, mas não apresentam sintomas, já que sempre que há um contato com a saliva existe a possibilidade de contágio“, confirma Carmen Fariñas, chefe da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Marquês de Asd de Londrina.

A doença do beijo é transmitida, geralmente, pela troca de saliva, que pode ser através de beijos, mas não exclusivamente, já que também se contagia por beber do mesmo copo, compartilhar talheres ou brinquedos”, esclarece a doutora Fariñas.

Então, se transmite pela saliva, o beijo de esquimó ou três beijos franceses…não correm perigo, mas, e o beijo do príncipe e a branca de Neve?

Albert Pahissa, chefe do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Vall d’Hebron, o, tira-lhe importância, pois, como afirma, “em princípio, é uma doença benigna e que se transmite por contato físico em idades precoces“.

E o culpado é o vírus de Epstein-Barr. Antes “não tinha muita facilidade em seu diagnóstico, mas com as técnicas de biologia molecular aumentou a capacidade de avaliação e tratamento“, explica o doutor Pahissa.

A doutora Fariñas acrescenta que “se nós exploramos o paciente costuma assistir a um aumento do tamanho do fígado e do baço, inclusive, podem aparecer dores de músculos (mialgias) e dores nas articulações (artralgias)”.

Se você é jovem, cuidado a quem besas ou de onde bebês

Os adolescentes ou adultos jovens são o grupo de maior risco. “Acredita-Se que a maioria das infecções iniciais aparecem na infância quase em 90% dos casos, e em adolescentes, existe uma possibilidade de que se manifestem sintomas, entre 50 e 70%”, afirma Carmen Fariñas.

E é o tempo o calcanhar de Aquiles para os pesquisadores. Não existe vacina para esta doença, Albert Pahissa explica que “Epstein-Barr, continua a ser uma espécie de vírus esquecido, mas já se vai conhecendo cada vez mais”.

Não há tratamento específico para a mononucleose infecciosa. O que prescrevem os médicos é o chamado sintomático que consiste em receitar paracetamol ou aspirina para aliviar a dor de garganta e a febre”, também assegura a doutora Fariñas.

Em relação à gravidade da doença do beijo, em princípio, não é transcendental, e, geralmente, desaparece sem deixar sequelas, de todas as formas, Carmen Fariñas aponta que “uma pequena porcentagem pode sofrer complicações como fadiga (astenia) durante os próximos três meses”.

A doutora do Hospital Marquês de Asd de Santander também ressalta que “podem aparecer outras infecções bacterianas por um microorganismo, o Streptococus Pyogenes, em 30% dos pacientes que têm o vírus de Epstein Barr e sim, há que tratá-lo, mas não com os típicos antibióticos com os que se cura esta bactéria (amoxicilina e ampicilina) porque, neste caso, produzem uma erupção cutânea”.

Quanto à prevenção, “não é necessário adotar medidas preventivas exceto se se tratar de imuno-comprometidos (transplantados ou com o vírus do HIV) e que não foram previamente infectados por este vírus”. Estes pacientes sim que tem que ter mais cuidado na sua limpeza oral, ou na higiene geral.

É recomendável deixar de nos beijar enquanto existir a possibilidade de contágio. Mas logo que a doença passe voltaremos a nos beijar, porque é um gesto que precisamos em nossa vida diária. Quantas vezes beijamos por dia?, se pensarmos ainda mais que água bebemos, mas não podemos negar que, por vezes, pode não ser tão romântico, bonito e especial.

Carmen Fariñas, lança uma mensagem final absolutamente tranquilizador para os pais: “não é uma patologia grave, não costuma ter complicações e se cura sozinha”.

Além disso, apesar de que é chamada de “doença do beijo”, e este artigo tenha versado sobre este gesto mundial de amor, é muito importante lembrar que as complicações não só chegam os beijos, se não por qualquer outro contato de saliva.

Cuidado com os beijos, acima de tudo no fim de ano, que nem sempre são de filme, de quadros ou de fotografias! Às vezes a realidade pode ser muito amarga, e não precisamente por o sabor do beijo.

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